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Bem viver & saberes do quilombo

Abraham Hand Vargas Mencer & Ana Carolina Pasolini Gonring

Os conceitos de Bem Viver, dos povos indígenas, e de Saberes do Quilombo, nascidos da resistência dos povos negros, oferecem vivências e organizações distintas da modernidade colonial e capitalista. Ambos desafiam as lógicas de exploração moderna, propondo novas formas de coexistência baseadas em harmonia ecológica e na coletividade. Este verbete explora como essas duas tradições, oriundas de diferentes contextos, convergem ao ressignificar a relação entre seres humanos e a natureza e promover sociedades mais justas, sustentáveis e inclusivas, mantendo vivos conhecimentos e práticas que transcendem a lógica colonial.

Sistemas de Conflitividade

Andréa Gill

O genocídio em marcha contra as populações indígenas e afrodescendentes no continente nomeado de “Améfrica Ladina” por Lélia Gonzalez (2018) em suas reinterpretações do Brasil põe em relevo os limites das categorias estadocêntricas de guerra e paz, responsáveis por imprimir no campo da ciência política e das relações internacionais os termos por meio das quais as práticas de legitimação de violência se tornam legíveis. O seu não reconhecimento, nem como guerra civil e nem como conflito internacional, gera a necessidade de métodos de análise que respondam ao que e a quem tem sido excluída/o do debate sobre paz e conflito na contemporaneidade como condição de possibilidade para a reprodução do mesmo. Por meio de perspectivas transnacionais e diaspóricas que recusam as fronteiras estatais como ótica prioritária de análise, e tampouco se amparam sobre o prisma binário das normas universais ou particulares / relativas do sistema internacional, podemos perceber como o genocídio antinegro e anti-indígena expõe as insuficiências das categorias eurocêntricas herdadas para pensar a violência e efetivamente redireciona a nossa atenção para a constituição de sistemas de conflitividade.

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